Ilhéus na Idade das Trevas

Em junho de 2007, publiquei no R2CPRESS, um texto com o título de Ilhéus na Idade das Trevas, que por acreditar seja oportuno, transcrevo, e em seguida faço alguns comentários.

“A revista ÉPOCA desta semana (Edição 472 de 05.06.2007) traz uma reportagem intitulada TRÊS CIDADES INOVADORAS, versando sobre três municípios do Rio de Janeiro, de Goiás e Minas Gerais, que me deixou triste, deprimido e pensativo. Começa assim a reportagem: Em boa parte dos 5.562 municípios brasileiros, a administração municipal ainda segue métodos de gestão do século passado. A relação de funcionários é anotada a mão em fichários amarelados. Folhas de cheques avulsas, guardadas em bolsos de prefeitos, são usadas para despesas gerais. Faltam livros contábeis para controlar gastos e receitas dos municípios. Em meio a esse cenário, é fácil entender o mau uso do dinheiro público e a corrupção na administração dos orçamentos municipais, que, em conjunto, somam R$ 142 bilhões, valor próximo ao faturamento da maior empresa do país, a Petrobras.

Se esta não é a real situação da Prefeitura de Ilhéus, temos certeza de que não estamos muito longe disto. E temos o agravante de contarmos, na nossa cidade, com um Pólo de Informática e Eletroeletrônica que abriga quase 60 empresas e que, de acordo com o SINEC, fabrica quase 20% dos computadores produzidos no Brasil, o que, a princípio, nos credenciaria a ter um maior desenvolvimento na utilização dos recursos de tecnologia da informação.

E segue a reportagem: Em Piraí, município de 22 mil habitantes a 74 quilômetros do Rio, todas as 23 escolas municipais têm laboratórios de informática conectados com a internet. Da mesma forma, a cidade inteira está plugada à rede. Em quatro telecentros, qualquer pessoa pode sentar-se durante meia hora e navegar gratuitamente. Quiosques espalhados pelos bairros também dão acesso gratuito aos moradores. Quem quiser ligar para a Prefeitura pode usar telefones públicos com base na tecnologia de conexão pela internet (VoIP), sem pagar nada. Todos os 39 prédios públicos estão conectados, e os órgãos também se falam pelo VoIP.

O projeto começou depois de um baque sofrido pela cidade. Em 1997, a Light foi privatizada e houve uma reformulação da maior fábrica de Piraí. Mil e duzentos moradores ficaram sem emprego. O então prefeito Luiz Fernando Pezão (PMDB), hoje vice-governador do Rio, reuniu cérebros e chamou pesquisadores para desenvolver um plano estratégico e descobrir novas vocações para a cidade. A idéia inicial era que todos tivessem acesso sem fio à rede, mas o custo foi proibitivo. Entrou em ação o jeitinho brasileiro. A conexão chega por fibra ótica ao ponto mais alto da cidade. Dali é transmitida pelo rádio para cinco retransmissores, que levam a internet por cabo a pontos espalhados pelo município. Dessa forma o projeto custou um quarto do previsto. A conexão cobre hoje os 520 quilômetros quadrados do município e contribuiu para atrair 18 indústrias para a cidade. “Em oito anos multiplicamos por quase cinco a arrecadação de ICMS – de R$ 17 milhões para R$ 76 milhões”, diz o vice-governador Pezão.

O acesso à informação é levado tão a sério em Piraí que foi incluído entre os direitos básicos do cidadão, ao lado de saúde, educação e emprego. “Não existe inclusão social sustentável, sem inclusão digital”, afirma Franklin Dias Coelho, professor da Universidade Federal Fluminense e coordenador do projeto.

Voltemos à nossa querida Ilhéus, e à nossa triste realidade. Poucas das nossas escolas têm laboratório de informática, e pouquíssimas têm acesso à internet. Não temos tele-centros, para falarmos com a nossa Prefeitura, mesmo pagando a ligação, temos grandes dificuldades e a home-page do município é uma vergonha. Não temos Planejamento Estratégico de nada; e fibra ótica, acesso sem fio à rede, internet por cabo, inclusão social, inclusão digital e VoIP, são palavras que não fazem parte do vocabulário da quase totalidade do nosso povo.

– Quiosques, só de cachorros-quentes, acarajés e quibes.

Na nossa cidade, o acesso à informação é tão precário, que sequer uma Biblioteca Pública convencional nós temos.

Porém, é interessante que ressaltemos que tudo isto acontece numa cidade que tem uma Universidade do porte da UESC, um Centro de Pesquisa em Informática e Eletrônica com o gabarito do CEPEDI e grande volume de recursos disponíveis para Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia da Informação nas Empresas de TI aqui instaladas.

Não podemos ficar de braços cruzados, assistindo passivamente a este descalabro.

Se a Prefeitura nada pode fazer, por falta de recursos, de visão de futuro ou de vontade política, que solicite à UESC, para que juntamente com o SINEC – Sindicato das Empresas de Informática e o CEPEDI, ajudem a nossa cidade a sair da idade das trevas em quer se encontra e ingresse no mundo da Tecnologia da Informação e Comunicação.”

Passado mais de hum ano desde a publicação deste texto, a situação continua a mesma, isto é, a nossa cidade continua na Idade das Trevas no que se refere ao uso das TIC”s – Tecnologias da Informação e Comunicação, apesar do seu Pólo de Informática e Eletroeletrônica estar em franco progresso, gerando empregos e renda e constituindo-se numa excelente alternativa econômica para a redenção da outrora pujante economia cacaueira.

Aproximam-se as eleições municipais e com elas um bom momento para que os Candidatos a Prefeito se comprometam com o povo de Ilhéus no sentido de tirarem a nossa cidade da Idade das Trevas. Fica pois aqui o meu apelo: André, Cacá, Espírito Santo, Newton e Ruy, pensem na possibilidade de colocarem nos seus Planos de Governo projetos que possam colocar Ilhéus no mundo novo da Tecnologia da Informação e Comunicação. O povo de Ilhéus, principalmente a nossa juventude, ficará eternamente grato.

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2 Responses to Ilhéus na Idade das Trevas

  1. Gesil Amarante disse:

    Sou professor da UESC e posso assegurar que as administrações de Ilhéus e de Itabuna (ou outra cidade qualquer) podem procurar a nossa instituição para que possamos ajudar a pensar as soluções para a região na medida de nossas capacidades de pensar soluções ou adaptar soluções à nossa realidade. Como coordenador do grupo de TIC da UESC, ressalto que temos o maior interesse em ver Ilhéus se consolidar como pólo de tecnologia e como alternativa de desenvolvimento econômico e social no interior da Bahia. Sabemos que os futuros da UESC e da região estão firmemete atrelados e que dependemos uns dos outros. Contem conosco.

    Temos absoluta certeza de que a Região poderá contar com a UESC para discutirmos, planejarmos e efetivamente utilizarmos as TIC’s – Tecnologias da Informação e Comunicação, como fator de maximização do desenvolvimento regional.
    Ficamos muito felizes em termos a sua participação no nosso BLOG.

    Carlos Mascarenhas

  2. […] sentimos, pelas reações ao artigo anterior, publicado aqui e no R2CPRESS, que é algo que empolga. E não teria como não empolgar.  Para […]

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