A importância das redes sociais

Quando se fala em “redes sociais”, automaticamente os pensamentos se voltam para o Orkut, rede de relacionamentos que se tornou uma febre, e agora está um tantinho mais relaxada, talvez pelo aparecimento de outras, como Facebook, Netlog, Hi5, Flickr, Limão e outras tantas.

Há quem se tenha “viciado” no orkut, mas há também quem faça questão de dizer que “não tem, não quer ter e tem raiva de quem tem”. Penso que qualquer radicalismo é prejudicial.

Admito que gosto do orkut, sim. Entrei em 2004, logo no comecinho, quando ainda era somente em inglês, e o “bad, bad server” insistia em dizer: “no donuts for you“.  Meus álbuns têm mais de setecentas fotos, meus “amigos” são mais de quinhentos. Mas já fui mais “ligada”.  Hoje, mal respondo os recados que me chegam. Atribuo à falta de tempo disponível (enquanto era “estudante” ou “desempregada” as coisas eram diferentes…”)

Foi exatamente o que percebi no estudo feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, e comentado por Daniela Braun: As únicas atividades em que as classes com menor suporte econômico “ganham” da classe “A” são os sites de relacionamento (especificando o Orkut), games e busca de empregos.  (Ver tabela abaixo)

tabela_ideia20

Mas não é exatamente sobre isso que eu quero falar. Quero defender aqui os relacionamentos mantidos/recuperados/construídos com base nas redes sociais. [Excluo desta lista os sites de “busca de parceiro(a)”].  E encontrei um texto super interessante que justifica o aparecimento das redes sociais na internet. Transcrevo uma parte da fala de Joe Kraus, Diretor de Gerenciamento de Produtos da Google:

“O que faz com que dois amigos se sintam “próximos” um do outro? Eu diria que em grande parte são os pequenos detalhes que eles sabem um do outro. O comentário engraçado que um amigo fez para o outro sobre um cartaz que viu quando viajavam, o que comeram no jantar, uma pessoa que encontraram na rua, seus comentários sobre o filme que viram há duas noites atrás. A proximidade geralmente vem do conhecimento de coisas pequenas, não apenas coisas grandes. A distância dificulta o conhecimento desses pequenos detalhes. Quando as pessoas moram juntas, seja com família ou com amigos, é muito fácil conhecê-los. Eles são transmitidos ao andar pelo corredor, sentar para uma refeição ou apenas pelo fato das pessoas estarem juntas. Não é preciso nenhum esforço.

Quando as pessoas vivem separadas, as coisas mudam. De repente, é preciso esforço. Era preciso muito mais esforço quando escrever uma carta era a principal maneira de se comunicar à distância, em vez de e-mail ou IM ou telefone.”

[Eu me lembro da agonia de esperar o carteiro, e a restrição a um telefonema – rápido – por semana,  quando eu morava a 1.200 Km de casa…]

“Entretanto, mesmo com nossa tecnologia atual, ainda dá trabalho. Por esta razão, compartilhamos menos com nossos amigos. E quando compartilhamos, nossa tendência é compartilhar coisas grandes (grandes mudanças no trabalho, grandes eventos familiares, como aniversários ou marcos escolares) e deixamos as pequenas coisas de lado. Começamos a nos sentir menos conectados porque não sabemos os detalhes.

A promessa da rede social é facilitar o compartilhamento de pequenas coisas. Tornar isso algo que não requer esforço e restabelecer aquela sensação de conexão que vem de saber os detalhes. Recentemente minha esposa enviou um álbum público de fotos de bebês do Picasa Web para dez de seus amigos. Quatro deles escreveram de volta dizendo “Eu não sabia que João comprou um carro novo!” (os amigos dela navegaram pelos meus outros álbuns públicos de fotos). Embora ela jamais hesitasse em compartilhar o grande evento (o novo bebê), ela nunca teria compartilhado o pequeno detalhe do meu carro novo: Coisas desse tipo se repetem o tempo todo. Os pequenos detalhes são deixados de lado. Um fim de semana com os avós? Pensando em vender a casa? “Vale a pena” compartilhar essas coisas? Talvez. Às vezes. Para algumas pessoas.

Felizmente, à medida que a rede se torna mais social, não terei de gastar muita energia pensando sobre o que é “suficientemente interessante” para compartilhar com um determinado grupo. As pessoas que se preocupam comigo e que tiverem minha permissão poderão cada vez mais compartilhar partes da minha vida que lhes interessam.”

O “cadeado” no Orkut, as senhas nos Blogs e o bloqueio ou aparecer offline no MSN fazem este filtro com perfeição. Hoje, estou mais próxima de pessoas que vivem a milhares de quilômetros de distância, do que dos meus vizinhos, dos quais não sei nem mesmo o nome. Reconheço – e valorizo – a importância das redes sociais. Especialmente do Orkut  para reencontros  [1488 histórias eu teria para contar sobre este assunto… mas sei que vocês também as tem] e dos Blogs para manutenção. Minha família maior (tios, primos, etc) sabem bem da minha vida por conta de lerem meu Blog Pessoal. Ainda que não nos vejamos, estão presentes na minha vida e eu na deles.

Sim, os pequenos detalhes são importantes, e a vida real é importante. Mas quando a distância exige, os pequenos detalhes chegam através da telinha do PC e a vida real se apropria da tecnologia para suprir as ausências físicas.

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3 Responses to A importância das redes sociais

  1. Jane disse:

    Oi Anabel, adorei seu texto.
    O que eu sinto com o Orkut é que as minhas possibilidades se “esgotaram” , o que não é verdade, eu sei.
    Mas concordo plenamente que a ausência física de pessoas amadas pode sim ser compensada (não diria suprida) pela tecnologia.
    Bjos

    Ah, às vezes eu penso que as minhas também se esgotaram… e logo a seguir acontece “algo” que diz que não! 😉 Bjo!

  2. Rodrigo Porto disse:

    Olá Bel tudo bem???

    Eu gosto do orkut mas, ultimamente eu quase não tenho acessado
    e como moro distante da minha família a única forma de comunicar com eles ou é por telefone ou pelo orkut mesmo….raramente uso msn, pois onde trabalho apesar de lidar o tempo todo com internet não tenho tempo para usar o msn.
    Gostei do post…Abraços…..

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