TIC verde

“As decisões de consumo fazem a diferença

O destaque para medidas de sustentabilidade como estratégia corporativa pode impulsionar a carreira do CIO

Jose Jairo Santos Martins , presidente da SUCESU – SP

Empresas do mundo todo já se convenceram de que o trabalho com afinco para minimizar o impacto produzido por suas operações no meio ambiente não é mais uma questão de opção ou boa fé, virou obrigação.
Desde 2002, empresas listadas no índice Dow Jones de Sustentabilidade – DJSI, principal índice do setor, tiveram valorização superior ao Dow Jones tradicional. Tal reconhecimento já chegou ao Brasil. Em dezembro de 2005 a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa – lançou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).  Companhias que se destacam por atender as melhores práticas em termos de responsabilidade social e sustentabilidade financeira e ambiental ao menos na teoria apresentam menor risco aos seus acionistas. Portanto, suas ações tentem a oferecer desempenho melhor no longo prazo.
Se o investidor está cada vez mais interessado em aplicar recursos em empresas com preocupação ambiental e social, o mesmo acontece com consumidor ao adquirir determinado produto e, felizmente, a tendência é um caminho sem volta. Segundo o colunista e escritor Max Gehringer muitas grandes organizações estão incluindo programas sociais no planejamento estratégico. Com as menores é só uma questão de tempo e completa “a responsabilidade social deixou de ser mérito de algumas para ser dever de todas e as que saem na frente se beneficiam”

Como vimos, das inúmeras vantagens em se adotar uma política focada no Desenvolvimento Sustentável, além de econômicas, estão a melhoria da reputação, a fidelização dos públicos e  a possibilidade de antecipação dos problemas e prevenção dos riscos sejam de ordem social, ecológico, jurídico ou de imagem.  Ainda reduzem os custos ligados ao consumo de recursos e produção de resíduos e representam importante diferencial competitivo, com indiscutível aumento do valor da marca.
Por ser uma das maiores consumidoras de energia, a Tecnologia da Informação entra como uma das principais áreas a sofrer mudanças. Se as empresas usuárias encontram a motivação para se tornarem “verdes”, os fornecedores de tecnologia acabam pressionados por uma força muito poderosa: o cliente. A recomendação é tentar reduzir o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos produtos e serviços que oferecem, uma cobrança que vem aumentando pelos CIOs aqui no país.
Enfim, fazer a tecnologia avançar sem prejudicar o meio ambiente, é uma questão de ordem para o mercado e para nós cidadãos. Por meio de nossas decisões de consumo devemos garantir às futuras gerações uma sociedade mais próspera e justa, um planeta mais limpo e uma qualidade de vida melhor, que possibilite um crescimento econômico com desenvolvimento sustentável.

Tecnologia eficiente do ponto de vista ecológico é mais econômica e produtiva. Ao mesmo tempo uma empresa engajada com a Responsabilidade Social ganha visibilidade, cria lealdade, atrai simpatia de consumidores, fornecedores e sociedade e, é claro, gratifica proprietários e acionistas.

Sustentabilidade é uma imposição do mercado e quem não aderir vai perder terreno, porque empresa boa é empresa responsável e empresa responsável é empresa rentável.

Uma boa oportunidade para o CIO

Antever as oportunidades e estar à frente de iniciativas de desenvolvimento sustentado como estratégia corporativa impulsiona a carreira dos CIOs e dos profissionais de TIC em geral. Afinal, rende uma ótima visibilidade dentro e fora da companhia e valoriza o passe do executivo.

O CIO deve entender onde as operações da companhia têm mais efeito no meio ambiente o que, segundo os analistas, ainda não é um fato corriqueiro. O resultado é a falta de preocupação com o nível de emissão de CO2 e o alto consumo de energia na infra-estrutura de telecomunicações e TI.  Mas esse quadro vai mudar.

O Gartner prevê que 50% das organizações de TIC terão políticas ambientais até 2010, cerca de 1/3 das companhias incluirão a sustentabilidade como base de comparação na hora de selecionar os fornecedores e, até 2012, três dos dez principais critérios de compra de tecnologia serão exigências sobre medidas em respeito ao meio ambiente.

Nesse sentido, rever ações internas são simplesmente imprescindíveis. Com base no uso de PCs, servidores, sistemas de refrigeração, telefonia fixa e móvel, redes locais de dados (LANs), impressoras e telecomunicação corporativa, o instituto de pesquisa alerta que fabricantes e usuários de tecnologia são responsáveis atualmente por 2% da emissão global de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, nível comparável somente ao da indústria de aviação.

Por sua vez, o processo de produção de um microcomputador exige 10 vezes seu peso em combustíveis fósseis e 1,5 mil litros de água para ser concluído. Apenas um chip de memória randômica consome 1,7 kg de combustível fóssil ou 400 vezes seu peso. Ao mesmo tempo, até 2030 a demanda de energia elétrica deve aumentar em 53%.

Uma forma de reverter os danos é desenvolver produtos e serviços que não causem impactos negativos ao meio ambiente, a chamada neutralidade em carbono. 

Outra sugestão aos gestores de TIC na hora de exercerem o poder de compra é se ater à maneira como os computadores são projetados e utilizados. Hoje somente 10% dos equipamentos obsoletos são reciclados.

Mas pequenas atitudes de comportamento no dia-a-dia também surtem grande efeito como desconectar aparelhos da tomada, regular carros, adotar a carona solidária, utilizar o papel branco que é mais racional e dar preferência ao álcool como combustível.

Outro bom exemplo a ser seguido é escolher os “papéis produzidos com certificação florestal” por garantir aos consumidores a fabricação com base em todas as normas legais e éticas desde a plantação da muda até o modo correto do corte.

Atitudes de Sustentabilidade em TIC que irão melhorar a eficiência energética, contribuir para os resultados da empresa e diminuir os danos ao ambiente

  • Equipamentos econômicos – produzir e utilizar equipamentos de TIC com baixo consumo de energia

  • *Impressão – usar produtos e soluções mais eficientes em relação ao consumo de energia, como os de alta tecnologia e aparelhos multifuncionais, mais econômicos que equipamentos separados (impressora, scanner, fax).                                                             

  • *Conscientização – incentivar o comportamento consciente, como desligar o monitor na hora do almoço e tirar da tomada os aparelhos portáteis, assim que carregados.

  • *Menos viagens a negócio – Considerar a adoção do teletrabalho e teleconferência para colaborar na diminuição dos congestionamentos no trânsito e do uso de combustível.

  • Virtualização – o aproveitamento atual de servidores é de 5 a 20%.  Com software de virtualização é possível chegar a 80%, sem perder performance.

  • Storage e Redes – sistemas de armazenamento e componentes de rede podem representar até 1/3 do consumo de energia.  Implementar um sistema hierárquico de gestão de ciclo de vida da informação (ILM – Information Lifecycle Management) diminui os números. O método auxilia na escolha adequada do meio de armazenamento de acordo com o tipo e importância da informação.

  • *Reciclagem – Computadores e baterias de celular devem ser reciclados rotineiramente, para os fabricantes além de promover a melhoria de imagem também se mostra um excelente negócio. Conforme estimativas são gerados mundialmente entre 20 a 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica, apenas na Califórnia 6 mil computadores por dia são sucateados.

  • *PC e notebook Um PC típico só aproveita metade da energia consumida. O excesso é dissipado em forma de calor. Ligado 10 horas por dia é responsável, por ano pela emissão de 1/10 de CO2.  Com mais de 1 bilhão de computadores em uso no mundo, é fácil imaginar o quanto de energia é consumida. Antes de adquirir um novo computador, deve ser analisada a possibilidade de optar por um notebook, que consome em média 30 Watts, enquanto que PC convencional de 150 a 200 Watts.

Quando o assunto é Data Center

    • Até que se verifique a real importância, desativar os programas cuja finalidade não seja claramente identificada.

    • Utilizar mais softwares com código que exigem menor capacidade do hardware.

    • Cerca de 40% do consumo de energia do Data Center é de refrigeração, o percentual sobe à medida que se abaixa a temperatura. São suficientes 26 graus e não 18 graus, como habitualmente empregado. Utilizar  hardware mais eficiente reduz a geração de calor e a conseqüentemente a necessidade de refrigeração.

Segundo o Gartner

  • 50% das organizações de TIC terão políticas ambientais até 2010

  • 1/3 das empresas incluirão entre os critérios de seleção de fornecedores tópicos de sustentabilidade

  • Em quatro anos três dos dez principais critérios de compra de tecnologia serão exigências sobre medidas em respeito ao meio ambiente

Um dos indicadores da crescente preocupação com sustentabilidade  é o aumento do número de companhias que publicam balanços sociais. Segundo o jornal O Estado de São Paulo em 1997, foram apenas 14 deles e em 2003 a quantidade já havia passado de 300.

Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona. (Instituto Ethos)

“Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades". (Nosso Futuro Comum – Relatório BRUNDTLAND)”

Fonte: SUCESU-SP

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